Desta foi de vez. Ao longo destes últimos dois anos o Micróbio foi crescendo, a pouco e pouco, cumprindo o seu papel. Mas como todos os bons micróbios, este não foi excepção e acabou por morder a cauda e engolir-se a si próprio. Parece que a moda agora está em desactivar blogs. Não creio que seja a solução. Porque este pequeno microorganismo blogosférico, ainda assim deixou marca, pelo menos em mim.
A todos os que por aqui escreveram e passaram, um grande grande obrigado. Espero que continuem, cada com a sua voz Quanto a mim, sinto-me rouco. Cantarei, por certo, com melhoras, por outras freguesias.
BRICK TOP And then I hear the best thing to do is feed 'em to humans. You gotta starve the humans for a few days, then the sight of a chopped up pig looks like curry to a drunk. You gotta shave the heads of your victims and pull the teeth out, you could do that after of course, but you don't want to go sieving human shit do you? Ever seen the size of one of their molars? ·
He holds up his fist
BRICK TOP
They go through bone like i t ' s butter. You gotta have a few humans though you need about sixteen they will go through a pig that weighs two hundred pounds in about eight minutes that means that a single human can consume two pounds of uncooked flesh every minute,. . . Pause
o império. império de matéria ao sol e à lua, quando faz o dia e depois a noite. império e o excesso das coisas, as coisas todas, e as multidões a colidir repetindo-se e reproduzindo-se. a fantasia esquivando-se. os afectos fazendo a ligação entre eles que são só e vagueiam, e nunca a ficção desses caminhos como um só. o dia. só depois a realidade e os vidros partidos, os pés nesse caminho nenhum sem dor, a multidão. a noite. a dor outra vez da multidão. gentes quase multidão de pessoas que se misturam depois com o tempo. dele o sigilo. a madrugada. insuficiente a dor no estado original, os primórdios do silêncio inquieto e em forma de grito. a simulação da multidão na madrugada, ávida por se ansiar de uma outra, gente cheia de luz, cabisbaixa no deserto a adiantar-se no instante como objectos a ocupar clandestinamente o tempo, o tempo quase fausto, quase feliz, ou o que não acontece, ou o prodígio do tempo presente. voltam-se as faces e somem-se os corpos misturados com a vaga abstracção do vazio entre eles, a multidão. a manhã. estes e aqueles, entre a revelação da imprevista cumplicidade, a nudez. o silêncio dentro de tudo entre os corpos. o desafio. a missão, todos e o exercício final de uma ode acidental, ou o limite. o entretanto, nem manhã, nem noite, nem madrugada, e todos depois, excluídos. a luz da manhã, as formas misturando-se e o diálogo. a procedência, o princípio aleatório. a dúvida permanente do fundamento. o império.
“As performances de hoje em dia, as que estão realmente em busca de um novo sentido para a criação artística, são fruto do trabalho de índios, de homens das cavernas e de chimpanzés.”
Comte de la Criquette In Manual de Pintura Rupestre
Acredita nos fantasmas. Acredita neles, que eles mais não são do que a sombra do que tu és. Assim como as doenças que não existem sem doentes. Cometes um crime e passas a estar disponível para ouvir os passos clandestinos que te seguem na rua, obrigando-te a fugir para becos esconsos. Melhor, tomemos o exemplo de uma pedra que arremessas ao ar. Se atirares uma pedra na direcção do céu e esta não voltar a cair, não é porque tenhas força a mais. Provavelmente, não há é nada de bom em ti que faça uma pedra voltar à tua mão. A tua fraqueza abjecta desafia as leis da gravidade e assim a pedra escolhe nunca regressar, desarmando-te perante um hipotético inimigo. E agora? Talvez tenha sido um fantasma. Talvez. O facto é que qualquer cientista diria que a pedra tem de voltar à terra num caso normal. Mas os cientistas não te conhecem. Nem sabem que leis regem a tua natureza torta. Olhas para o céu, em busca de um ponto negro que te prometa a normalidade. Mas por muito que olhes e por muito que consultes enciclopédias, não há lei que explique isto: que nem a Ciência acredita em ti.
Desregrado em vista. De Bloco. É numa obstipação táctil. Restante em locação. Que degusta. Os tóneis de cada vez em linha a tirar se tarde.
Na reserva vento. Os mesmos tecidos de acaso. Escritos. A convénio revelar numa atenção. Destacada. Por força de impacto. Como indigente contorno. Esquisso. Em parte. Num processo de redesenho. E por blocos de violência num sortilégio. De salto. Que mais pudesse em função de absurdo.
Agir numa vitalidade das ramas. Citas. De qualquer ventre. A Cor local. Em Locais. De avista. Nesta extensão. Que fosse a falar suscitaria. Outro.
Ficado a pó. Do deserto. Em tela. Fundo. Largo. Num aspergir em libações da luz.
* retirado de parte do espólio das gravações (des) enterradas pela expedição johnson & johnson junto ao oásis de Asma al-af al no deserto do Sahara em Maio de 1963.
Dizia se de reflexo as pontes de afecção ao assalto da sua memória. E novamente grotesco numa provocação que o faltava. O pois que seria numa processão lacónica.
De música acima ora abaixo o mesmo instante em vice versa. Num compromisso agora falado a respeito do mármore. Em comunidade de heróis. Num valor da terra :
Numa ávido em combustão do retiro. Aos carreiros em circuito de água doce. Outra esférica espera enzima em solução. Atirado aos montes num perfeito andariar.
Conclusão expressa do pó espalhado em penumbra. Sóis que dissesse se ancorado em prazer. Que duvidoso era as sombras de um crepúsculo repentino.
O Lugar dos sangréis. Os ouropéis em languescência trajada.
Estranhado ao corropio do sangue era o aluir num raio. Quilómetros por redor aos alertas da lua baixa. As semânticas em luminosidade. Branca como a cal quê.
- na parede –
Em conjunto à mirra. Ao plástico contratado. E num balcão afoito. Junto a si.
De cabeça, lastro, e fundo. Num “provir” das marés silenciadas.
Os dias do Amor Um poema para cada dia do ano 365 poemas de amor escritos por 365 poetas de todos os tempos e de todos os lugares
Recolha, selecção e organização de: Inês Ramos Prefácio de: Henrique Manuel Bento Fialho
N.º de páginas: 436 Editora: Ministério dos Livros
“Porque por amor enlouquecem os amantes, por amor se suicidam e matam (...), por amor o sacrifício, a entrega mística e a obstinação carnal, ou a entrega da carne e a obstinação mística, por amor os duelos reparados pela conciliação, por amor os territórios transfronteiriços, a abolição das fronteiras, o fim das dicotomias, por amor a paixão, por amor a morte, tudo isso num poema.” Henrique Manuel Bento Fialho (do Prefácio)
A primeira apresentação da Antologia de Poesia “Os dias do Amor – Um poema para cada dia do ano” vai ter lugar já no próximo dia 29 de Janeiro, na Fnac do Colombo, pelas 18h30m. Nesta sessão de apresentação haverá leitura de poemas da antologia por Maria do Céu Guerra, Álvaro Faria, Cristina Paiva, João Brás e Tiago Bensetil.
Estão agendadas outras apresentações nos seguintes dias e locais: Porto: El Corte Inglés, 5 de Fevereiro, 19h30m Viseu: Fnac Palácio do Gelo, 6 de Fevereiro, 21 horas Faro: Livraria Pátio de Letras, 14 de Fevereiro, 17 horas Évora: Bibliocafé Intensidez, 14 de Fevereiro, 21h30m
Conto convosco!
Lista dos autores que celebram o Amor nesta antologia (ordem alfabética): Aaro Hellaakoski (Finlândia) Adalberto Alves (Portugal) Ady Endre (Hungria) Affonso Romano de Sant'Anna (Brasil) Agripina Costa Marques (Portugal) Albano Martins (Portugal) Albert Samain (França) Alberto Augusto Miranda (Portugal) Alberto Caeiro (Portugal) Aleilton Fonseca (Brasil) Alejandra Pizarnik (Argentina) Alexandra Gil (Portugal) Alexandra Rodrigues Malheiro (Portugal) Alexandre Herculano (Portugal) Alexandre Nave (Portugal) Alexei Bueno (Brasil) Alfonso Álvarez de Villasandino (Castela) Alfredo Carvalhais (Portugal) Alice Vieira (Portugal) Almeida Garrett (Portugal) Al-Mu’tamid (Alandalus) Alphonsus de Guimaraens (Brasil) Álvares de Azevedo (Brasil) Álvaro de Campos (Portugal) Amadeu Baptista (Portugal) Amélia Vieira (Portugal) Américo Teixeira Moreira (Portugal) Amy Lowell (EUA) Ana de Sousa (Portugal) Ana Francisco (Portugal) Ana Hatherly (Portugal) Ana Luísa Amaral (Portugal) Ana Marques Gastão (Portugal) Ana Paula Tavares (Angola) Ana Salomé (Portugal) Ana Viana (Portugal) Andrej Morsztyn (Polónia) Andrew Marvell (Reino Unido) Anne Bradstreet (Reino Unido) Anónimo (Índia) Anónimo (Portugal) Anónimo (Portugal) Antero de Quental (Portugal) António Barbosa Bacelar (Portugal) António Cabrita (Portugal) António Dinis da Cruz (Portugal) António Feijó (Portugal) António Feliciano de Castilho (Portugal) António Ferra (Portugal) António Ferreira (Portugal) António José Queirós (Portugal) António Ladeira (Portugal) António Nobre (Portugal) António Osório (Portugal) António Patrício (Portugal) António Ramos Rosa (Portugal) António Salvado (Portugal) António Sardinha (Portugal) Armando Silva Carvalho (Portugal) Arthur Rimbaud (França) Augusto Gil (Portugal) Aurelino Costa (Portugal) Bai Juyi (China) Balassi Bálint (Hungria) Bashô (Japão) Beatriz Barroso (Portugal) Ben Jonson (Reino Unido) Bernardete Costa (Portugal) Bernardim Ribeiro (Portugal) Bernardino Lopes (Brasil) Bernardo de Passos (Portugal) Bíon (Grécia) Bocage (Portugal) Caetano de Costa Alegre (São Tomé) Camilo Castelo Branco (Portugal) Camilo Mota (Brasil) Camilo Pessanha (Portugal) Campos d’Oliveira (Moçambique) Campos Monteiro (Portugal) Carlos César Pacheco (Portugal) Carlos Garcia de Castro (Portugal) Carlos Machado (Brasil) Carlos Vaz (Portugal) Casimiro de Abreu (Brasil) Casimiro de Brito (Portugal) Castro Alves (Brasil) Catarina de Lencastre (Portugal) Cesário Verde (Portugal) Christina Georgina Rossetti (Reino Unido) Christopher Marlowe (Reino Unido) Claudio Daniel (Brasil) Conde do Vimioso (Portugal) Cristina Maria da Costa (Portugal) Cristóvão Falcão (Portugal) Cruz e Sousa (Brasil) Csokonai Vitéz Mihály (Hungria) D. Afonso Sanches (Portugal) D. Dinis (Portugal) D. Francisco Manuel de Melo (Portugal) D. Sancho I (Portugal) Dama Kasa (Japão) Dama Otomo no Sakanoe (Japão) Daniel Camacho (Portugal) Daniel Faria (Portugal) Daniel Gonçalves (Portugal) Daniel Maia-Pinto Rodrigues (Portugal) Dante Alighieri (Florença) Décimo Magno Ausónio (Gália) Delfim Guimarães (Portugal) Diego Armés (Portugal) Diogo Bernardes (Portugal) Diogo Brandão (Portugal) Domingos dos Reis Quita (Portugal) Donizete Galvão (Brasil) E. M. de Melo e Castro (Portugal) Edgar Allan Poe (EUA) Edimilson de Almeida Pereira (Brasil) Edith Goel (Israel) Edith Södergran (Finlândia) Edmund Spenser (Reino Unido) Eduarda Chiote (Portugal) Eduardo M. Raposo (Portugal) Eduíno de Jesus (Portugal) Eeva Kilpi (Finlândia) Egito Gonçalves (Portugal) Emily Dickinson (EUA) Ésio Macedo Ribeiro (Brasil) Eugénio Tavares (Cabo Verde) Eunice Arruda (Brasil) Fernando Aguiar (Portugal) Fernando Cabrita (Portugal) Fernando de Castro Branco (Portugal) Fernando Esteves Pinto (Portugal) Fernando Fábio Fiorese Furtado (Brasil) Fernando Grade (Portugal) Fernando Pessoa (Portugal) Fernando Pinto do Amaral (Portugal) Fernando Pinto Ribeiro (Portugal) Fernando Ribeiro (Portugal) Fiama Hasse Pais Brandão (Portugal) Filinto Elísio (Portugal) Firmino Mendes (Portugal) Florbela Espanca (Portugal) Francesco Petrarca (Toscânia) Francisco de Quevedo (Espanha) Francisco de Vasconcelos (Portugal) Francisco José Viegas (Portugal) Francisco Rodrigues Lobo (Portugal) Frederico Barbosa (Brasil) Frederico Hartley (Portugal) Friedrich Gottlieb Klopstock (Alemanha) Friedrich Hölderlin (Alemanha) Fugiwara no Toshiyuki (Japão) Fujiwara no Orikase (Japão) Gabriela Rocha Martins (Portugal) Gaio Valério Catulo (Roma) Gastão Cruz (Portugal) George Herbert (Reino Unido) Geraldo Reis (Brasil) Gerson Valle (Brasil) Giacomo da Lentino (Sicília) Gil Vicente (Portugal) Golgona Anghel (Roménia) Gomes Leal (Portugal) Gonçalo Salvado (Portugal) Gonçalves Crespo (Brasil) Gonçalves Dias (Brasil) Graça Magalhães (Portugal) Gregório de Matos (Brasil) Guerra Junqueiro (Portugal) Guilherme Braga (Portugal) Guilherme de Faria (Portugal) Guillaume Apollinaire (Itália) Hannes Pétursson (Islândia) Henrique Lopes de Mendonça (Portugal) Henrique Manuel Bento Fialho (Portugal) Iacyr Anderson Freitas (Brasil) Ibn ‘Ammar (Alandalus) Ibn ‘Arabi (Alandalus) Ibn Hazm (Alandalus) Ibn Safar Al-Marini (Alandalus) Ibn Zaydûn (Alandalus) Imperatriz Yamatohima (Japão) Inês Lourenço (Portugal) Inma Luna (Espanha) Isabel Cristina Pires (Portugal) Isabel Mendes Ferreira (Portugal) Ivo Barroso (Brasil) Ivo Machado (Portugal) Izumi-Shikibu (Japão) Janus Pannonius (Hungria) Jerónimo Baía (Portugal) Joana da Gama (Portugal) Joana Roque Lino (Portugal) Joana Serrado (Portugal) João Airas (Galiza) João de Deus (Portugal) João de Lemos (Portugal) João Garção (Portugal) João Lobeira (Portugal) João Lúcio (Portugal) João Manuel Ribeiro (Portugal) João Penha (Portugal) João Ricardo Lopes (Portugal) João Rico (Portugal) João Roiz de Castelo Branco (Portugal) João Rui de Sousa (Portugal) Joaquim Alves (Portugal) Joaquim Cardoso Dias (Portugal) Joaquim Cordeiro da Mata (Angola) Joaquim Evónio (Portugal) John Clare (Reino Unido) John Donne (Reino Unido) Jorge Casimiro (Portugal) Jorge Reis-Sá (Portugal) Jorge Sousa Braga (Portugal) Jorge Velhote (Portugal) José Agostinho Baptista (Portugal) José Alberto Mar (Portugal) José Anastácio da Cunha (Portugal) José Carlos Barros (Portugal) José Carrilho Raposo (Portugal) José da Fonte Santa (Portugal) José do Carmo Francisco (Portugal) José Emílio-Nelson (Portugal) José Félix Duque (Portugal) José Luís Peixoto (Portugal) José Manuel de Vasconcelos (Portugal) José Mário Silva (Portugal) José Miguel de Oliveira (Portugal) José Rui Teixeira (Portugal) József Attila (Hungria) Judith Teixeira (Portugal) Julião Bernardes (Portugal) Kakinomoto no Hitomaro (Japão) Kouo Yu (China) Lassi Nummi (Finlândia) Laureano Silveira (Portugal) Leonilda Cavaco Alfarrobinha (Portugal) Lety Elvir (Honduras) Li Bai (China) Lívia Tucci (Brasil) Lord Byron (Reino Unido) Luís Brito Pedroso (Portugal) Luís de Camões (Portugal) Luís de Miranda Rocha (Portugal) Luís Filipe Cristóvão (Portugal) Luís Lima (Portugal) Mafalda Chambel (Portugal) Manuel Alegre (Portugal) Manuel Anastácio (Portugal) Manuel Botelho de Oliveira (Brasil) Manuel da Silva Gaio (Portugal) Manuel Duarte de Almeida (Portugal) Manuel Laranjeira (Portugal) Manuel Moya (Espanha) Manuel Neto dos Santos (Portugal) Maria Costa (Portugal) Maria Estela Guedes (Portugal) Maria Helena Ventura (Portugal) Maria João Fernandes (Portugal) Maria José Lascas Fernandes (Portugal) Maria O'Neill (Portugal) Maria Teresa Horta (Portugal) Mariana Angélica Andrade (Portugal) Mário Castrim (Portugal) Mário de Sá-Carneiro (Portugal) Mário Lisboa Duarte (Portugal) Mário Machado Fraião (Portugal) Marquesa de Alorna (Portugal) Martim Codax (Galiza) Matthías Jóhannessen (Islândia) Michael Drayton (Reino Unido) Michelangelo Buonarroti (Toscânia) Miguel d’Azur (Portugal) Miguel Florián (Espanha) Miguel Godinho (Portugal) Miguel Martins (Portugal) Mihai Eminescu (Roménia) Murasaki-Shikibu (Japão) Myriam Jubilot de Carvalho (Portugal) Natércia Freire (Portugal) Nicolau Saião (Portugal) Nína Björk Árnadóttir (Islândia) Nuno Fernandes Torneol (Castela) Nuno Júdice (Portugal) Nuno Rebocho (Portugal) Olavo Bilac (Brasil) Olivier de Magny (França) Omar Khayyam (Pérsia) Otília Martel (Portugal) Ozias Filho (Brasil) Paio Soares Taveirós (Portugal) Paula Cristina Costa (Portugal) Paulinho Assunção (Brasil) Paulino de Oliveira (Portugal) Paulo Ferraz (Brasil) Paulo Ferreira Borges (Portugal) Paulo Ramalho (Portugal) Pedro Afonso (Portugal) Pedro António Correia Garção (Portugal) Pedro Gil-Pedro (Portugal) Pedro Sena-Lino (Portugal) Pêro de Andrade Caminha (Portugal) Pero Gonçalves de Portocarreiro (Portugal) Pero Meogo (Galiza) Petofi Sándor (Hungria) Philip Sidney (Reino Unido) Pierre de Ronsard (França) Prisca Agustoni (Brasil) Propércio (Roma) Queirós Ribeiro (Portugal) Raquel Lacerda (Portugal) Regina Gouveia (Portugal) Ricardo Reis (Portugal) Robert Burns (Reino Unido) Rodrigo Eanes Redondo (Portugal) Ronaldo Cagiano (Brasil) Rosa Alice Branco (Portugal) Rui Almeida (Portugal) Rui Brás (Portugal) Rui Caeiro (Portugal) Rui Costa (Portugal) Rui Diniz (Portugal) Rui Gonçalves (Portugal) Rute Mota (Portugal) Ruy Ventura (Portugal) S. João da Cruz (Espanha) Sá de Miranda (Portugal) Sa'adi (Pérsia) Safo (Grécia) Salomão (Israel) Salvador Rueda (Espanha) Sérgio Godinho (Portugal) Sérgio Peña (México) Silva Palma (Portugal) Soares dos Passos (Portugal) Soror Madalena da Glória (Portugal) Soror Mariana Alcoforado (Portugal) Soror Violante do Céu (Portugal) Tchang Chouai (China) Teresa Tudela (Portugal) Thorkild Bjørnvig (Dinamarca) Tiago Araújo (Portugal) Tiago Nené (Portugal) Tomás António Gonzaga (Portugal) Tomás Ribeiro (Portugal) Torquato da Luz (Portugal) Torquato Tasso (Itália) Tradição oral (Arábia) Tua Forsström (Finlândia) Uberto Stabile (Espanha) Vasco Graça-Moura (Portugal) Vera Lúcia de Oliveira (Brasil) Vergílio Alberto Vieira (Portugal) Victor Oliveira Mateus (Portugal) Vítor Oliveira Jorge (Portugal) Vladímir Maiakovski (Rússia) Vörösmarty Mihály (Hungria) Walter Raleigh (Reino Unido) Wang Wei (China) William Shakespeare (Reino Unido) Yamabe no Akahito (Japão) Yehudá Ha-Leví (Navarra) Zhang Kejiu (China)
Um dizia estar farto de semi-deuses Outro haver metafísica bastante em não pensar em nada Outro ainda dizia não chorar por nada que a vida traga ou leve E um outro que ignorar que vivemos cumpre bastante a vida Ao que outro dizia ser a hora!
Murmúrio de arremeter animal, a pé gasto, o cimento
das fundações
da fuga, numa rápida sucessão do deslocamento, - o inverso - disto e de novo dali acelerado a uma solução deste fogo o tornar de aquecimento global nesta casca gasta e ressequida - do calor - à temperatura de passagem, dos termos que volatem se como num demais expandido, esplêndido o coração a gasto, baque da bruma, como sôfrega entidade - surda/enraivecido – íman numa anunciação - sólida – das falas em convexo,
escarpo, cálido o cabelo
das pedras fendidas a um só gesto em riste a mão oposta a paixão do novo irromper, num súbito desalinho, assim, rasgado das fontes novas num acto alto, como a nossa figura limpa
numa actualizada “ideia”,
de basso (a)dentro aos - sólidos - magnetos acelerados a uma combustão espontânea e por descargas de inversão contra lançadas num salto, efeito, em campo de instante “confuso” - e desmagnetizado – num momento sorrido da recordação liberta em curto circuito sistemático duma paixão corrida
a fundo,
aos olhos do marte cheio, assim, desalinhado e nu.
Agido à figura abre a pós da parede refracta e numa linha de vento o traçado sorriso – desconfuso – engrandecido a tropel das manifestações
vêm ;
por largos louco a trejeito ao investir da matéria em ano da coisa, possíveis impérios da pedra desmoronada por um, fasto, único, duplo gesto - o movimento – fende em novo instante o acto do qual se adianta.
já não digo mais nada que não tenho mais nada para dizer hoje. o tempo que é aqui já em suspenso, tempo parado onde não digo mais nada. e todas as palavras que direi a seguir não serão as de hoje jamais nunca que assim não são as minhas porque não as tenho em mais nada do que quero dizer. já não digo mais nada, digo. digo. e digo outra vez quando estou a dizer para que saibam que não quero dizer porque é preciso dizer que não dizemos para nos entenderem e saberem que não estamos de facto a querer dizer. porque não interessa porquê porque fazemos as coisas se elas nos são pesadas de matar e não as suportamos dizer e não temos as palavras de as conseguir dizer e não me exijam mais do que isso, as palavras que posso dizer. e as que digo não digo hoje mais, não as posso dizer. que se digam elas a si que sabem como se dizer e o que dizer.
O soldado estava deitado no chão. Baleado numa perna, cheio de arranhões no corpo, com a cara a arder de sede, de fome e de dor, só conseguia pedir ajuda a um céu habitado por mortos. Por mais vontade que o cérebro tivesse de ir para casa, o corpo não se movia. E a morte começava a aproximar-se. A palidez, o raciocínio a transferir-se do real para o sonho, a história de dois decénios em retrospectiva, o cheiro do perfume da mulher no nariz a fazer cair uma lágrima do olho para a face surrada. Começa-se a pensar no fim e, de repente, aparece uma voz que sussurra: «Torna-te duro, sobrevive, morde a mão mas não te deixes levar pelos demónios. Pensa na resistência: resiste, resiste, volta para junto de quem te pertence.»
... corta, peso da travessia suspensa em calamidade na terra desenvolta, de caída cor no cimento, rodado, qual momento duma mesma fuga espaço de música e letra, espalhada, num tal gesto de unidade, o véu perfeito.
Ele queria esquecê-la, apagá-la, fazê-la desaparecer do passado. Deixou de a procurar com os olhos nas ruas por onde, antigamente, um casal apaixonado costumava passear. Mesmo que se cruzasse com ela, jurara, não levantaria o queixo para a cumprimentar. Abriu mil gavetas para rasgar algumas (poucas) fotografias felizes. Embora soubesse que ela nunca o voltaria a procurar, mudou de número de telefone e de residência. Procurou novos amigos, novas mulheres para idolatrar, decorou piadas diferentes, apegou-se a outras músicas. Começou a sair todas as sextas-feiras para dançar tango num clube nocturno com prostitutas. Um dia, viu-a e tudo voltou ao ponto de partida, isto é, ao segundo no qual o coração julga que existem dores que não aparecem com a falência do corpo mas que são capazes de matar. Todos os seus esforços para se livrar de sentimentos antigos tinham sido infrutíferos. Ajoelhou-se perante a mulher e chorou, esgravatando o chão com os dedos e suplicando-lhe para que voltasse para casa, porque não conseguia continuar a viver sem os beijos, os abraços e o calor dela. Mas ela era forte, dura e perversa. Deixou-o sozinho na noite fria, com o ranho a encher-lhe os lábios de vergonha.